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sexta-feira, 14 de maio de 2010



"Impossível devolver a linha ao novelo depois que a consciência já teceu novos caminhos."

Ana Jácomo


"Um dia, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar do planeta! Haveria de existir! Nem que este lugar fosse apenas dentro de mim..."


Rita Apoena


"Hoje amanheci tão bem! Como se durante a noite tivesse vindo uma fada, uma dessas fadas das histórias antigas, fadinha boa com sua varinha de condão, não sofra mais querida, disse tocando com a varinha a minha cabeça, não sofra mais, ficou repetindo, e nessa hora acordei e me senti diferente."


Lygia F. Telles


"Às vezes a gente muda tanto ao longo do tempo que quando encontramos um espelho pendurado no meio do nosso caminho olhamos e, opa!, quase que não sabemos quem é que está ali olhando de volta pra nossa cara de tacho.

Você me fez diferente, roubou minhas vontades e minha disciplina eterna comigo mesma que me fazia tão amante das minhas escolhas. Você roubou alguns dos meus sorrisos e guardou no seu bolso, só você queria sorrí-los. Você fez muita sacanagem com aquela minha segurança que não bambeava, mas hoje vive com um pé atrás do outro na corda. Só que no final das contas, a culpa não é exatamente sua. Ninguém faz nada pra outra pessoa sem que a primeira deixe. Eu devia deixar você."


Rani Ghazzaoui


"Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis.

Remexo o cérebro e ela vêm, não rara, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca — a poeira do que eu tentava expressar, e elas dessolveram.

Quanto mais palavras ocorrem para vestir uma idéia, mais essa idéia resiste a ser identificada. As sucessivas roupas sufocam a sua nudez. E todas as palavras são uma grande bolha de sabão, às vezes brilhante, mas circundando o vazio.

Ah, se eu pudesse escrever com os olhos, com as mãos, com os cabelos — com todos esses arrepios estranhos que um entardecer de outono, como o de hoje, provoca na gente."


Caio F. Abreu


"Queria de volta tudo aquilo que passou porque sofrer pelo passado é bem mais fácil do que arrumar o presente. Eu queria você de volta, pra sempre."


Rani Ghazzaoui


"Não quero olhar para trás, lá na frente, e descobrir quilômetros de terreno baldio que eu não soube cultivar. Calhamaços de páginas em branco à espera de uma história que se parecesse comigo. Não quero perceber que, embora desejasse grande, amei pequeno."

Ana Jácomo

quarta-feira, 12 de maio de 2010



"Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."


Martha Medeiros

domingo, 9 de maio de 2010



"Que pode ser tão raro, que não pode ser incluso na lista dos “Desapegos”?"


Marla de Queiroz


"Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas.

Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe.

Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...

Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor."


Clarice Lispector


"Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, (...) Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a idéia da alegria."

Ana Jácomo


"Tudo vai embora. Todos vão embora. Se tudo acaba, então, meu Deus, pra que se vive? Pra que?"


Tati Bernardi


"É preciso coragem.

Uma coragem danada.

Muita coragem é o que eu preciso.

Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção…

Porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada.

Sei lá..."


Clarice Lispector

sexta-feira, 7 de maio de 2010



"Eu ando muito infeliz, (...) este é um segredo que conto só para você: eu tenho achado, devagarinho, cá dentro de mim, em silêncio, escondido, que nem gosto mais muito de viver, sabia?"


Caio F. Abreu


"Existem duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.

Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.

Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós.

Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."


Martha Medeiros