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Mostrando postagens com marcador Rani Ghazzaoui. Mostrar todas as postagens
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sábado, 19 de fevereiro de 2011




"É tão bom como vai. 
Eu, você e o vento. 
Porque eu pensei que não ia voar mais, sabe, que estávamos muito pesados pros nossos antigos sonhos. 
Mas aí percebi que não. 
Dentro de nós existem dois balões de gás hélio. 
E a gente voa, voa..."


Rani Ghazzaoui



“Não vou maltratar o amor, porque o amor move tudo, o amor resolve tudo, o amor luta as lutas que eu não tenho coragem de lutar, o amor faz retratos tão bonitos e escreve poesias incríveis, o amor me dá material há anos para falar só dele, em tantas frases diferentes, sempre ele, como um mantra, e mesmo só me repetindo há anos, o amor faz parecer tudo novo, porque todo mundo continua na busca, no desespero, na corrida, na largada, no final do túnel, na outra metade da laranja, segurando a tampa de uma panela, do outro lado do telefone, o amor continua, o amor corre, corre, corre, o amor nunca chega, mas ele também nunca vai embora porque ele é onipresente e todo mundo deseja, almeja, reza tanto o amor o tempo todo.”


Rani Ghazzaoui

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011




“Mas você continua latente bem na minha frente, todos os dias, todos os minutos, em cada suspiro de alegria, tristeza ou vazio que saia de mim. Todas as manifestações de vida, na minha, são você. Toda a vida que eu guardei e gastei em porções mínimas, sobraram pra durar em você.
Eu que não sei de tantas coisas, continuo crente no que, pros outros, parece incerto. Eu que sempre fui tão imediatista e fugaz, sento agora no cantinho mais confortável de mim, sem aquele desespero do começo, pra esperar você. Eu sei que você vem.”


Rani Ghazzaoui

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011




“O meu tempo passa sem uso porque eu passo os minutos contando quantos faltam pra você parar de fazer o que está fazendo e, finalmente, me notar. Você é meu, e está aqui, mas não está comigo. O tempo todo eu passo esperando aquele tempo curto que você vai prestar atenção em mim e só isso, sem desvios. Mas você é tão ocupado das suas próprias prioridades, dos seus próprios cansaços, da sua própria vida que os seus segundos a cada dia se excedem, e os meus vão devagar chegando ao fim. Mas a culpa é um pouco minha que não uso melhor as minhas horas de espera. Eu devia tomar coragem e fazer com que elas virassem horas de busca; não de você.”


Rani Ghazzaoui

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010




“Alguma coisa não está certa aqui. Passa longe de ser visível aos meus ou quaisquer outros olhos, mas existe. Lateja forte durante a noite e eu me recolho, me encolho, me embrulho, como se procurasse um jeito de, em mim, encontrar um pedaço de você. Mas não dá mais, e dói.”


Rani Ghazzaoui

sábado, 20 de novembro de 2010





“Era manhã sem madrugada porque essa outra tinha secado chata por não ter sido consumada. Era súbito e direto o sol no seu rosto, seu nariz fazia curvas engraçadas pela bochecha, na sombra que desfigurava e fazia a menina franzina ser tão maior do que ela era. Era estranho, mas era bom ao mesmo tempo. Assim fácil, assim completamente incompleto. 

A vida dá umas voltas estranhas e no final das coisas elas podem acabar exatamente no começo delas. Mas ela precisava de alguma coisa menos inacabada para poder seguir em frente. Precisava ser completa para poder completar os buracos e as vielas no meio do caminho. Ela precisava chegar ao meio do caminho inteira. 

E foi sem querer que alguma coisa, naquela noite estranha, disse pra ela que por mais errado que pudesse parecer, estava certo. Ela quis muito e quem quer muito faz força demais e, mesmo que doa, consegue. Não foi na primeira, nem segunda e nem na décima. Não foi florido, nem corrido, nem demorado demais. Não foi fácil porque se assim fosse ela dificilmente se interessaria. 

Tantas vezes falou pra si mesma que não ia mais ser assim. Tantas vezes chorou por horas em ombros diferentes na esperança de, numa dessas, achar o ombro certo e esquecer de todos os outros, de todas as coisas, de tanta coisa molhada e inacabada. O sol desfigurou a verdade de sonho, mas a noite trouxe de novo a estória que ninguém contou pra ninguém, por ser dela e de mais ninguém, pela primeira vez. 

Muitas vezes acreditou no óbvio e teve medo de olhar pra frente com um olhar menos apreensivo que pudesse, talvez, fazer ser a vez dela de voar. É verdade que vieram os bacanas, os interessantes, os bonitos, os babacas. É verdade que vieram as crenças, as esperanças, os sorrisos, os desapontamentos. É bem verdade, também, que ela vivia jurando de pé junto que ia parar por ali, pra sempre, por esse ano, por um mês, por hoje. 

Só que não houve fórmula infalível dessa vez, dessa vez não dependia dela e muito menos do empenho dela - embora mesmo assim ela tenha se empenhado só para não perder o eterno costume de carregar tudo nas costas para depois dizer que foi sofrido. Achava bonito sofrer. Achava poesia nas coisas idiotas. Achava que um dia isso ia valer à pena. 

E a gente não vai saber, ainda, se dessa vez valeu. Ninguém vai saber, nunca, por completo por onde andaram dadas com outras, as mãos dela. Não dá para adivinhar quando ela sente e quando ela finge e quando ela simplesmente não tem controle do que passa por ela turbulento ou calmo. 

Mas vale à pena - pra ela, pra mim e pra você - olhar direto e sempre pra frente. Vale à pena fechar os olhos para o que não serve e abrir assim, só quando der mesmo vontade. Vale à pena agredir as morais questionáveis da vida e, definitivamente, não passar vontade. Valeria à pena, inclusive, se empenhar em algum final bonito, poético e pensável para esse texto. Só que eu acho que para ela, às vezes, falta vontade. 

E chame egoísta se quiser, mas acho que muito certo faz a pessoa, de guardar o motivo dos seus sorrisos, só para ela.”


Rani Ghazzaoui

quinta-feira, 11 de novembro de 2010



“Não sou, nunca fui e não quero ser santa. Me recuso, entretanto, a fazer parte do mal, independente do que mal seja. Vou continuar falando palavrão, me apaixonado e enchendo a casa de corações de papel, maltratando minha mãe às vezes e depois me sentindo escrota e injusta, ainda vou fazer muitos amigos errados, vou viajar quilômetros por amor aos meus irmãos, aos meus amores. Vou ser assim porque, na verdade, eu já sou tudo isso. Tá tudo errado e tá tudo certo. Tá tudo mudando e tá tudo bem. No final da vida, como eu já disse outras vezes, quero ter um colar de pérolas minhas pra mostrar pros meus netos e, olha só, às vezes eu quero tê-los (os netos), outras não. Daqui há pouco tudo muda, mas eu ainda vou querer estar com você porque, é fato, você me mudou.”


Rani Ghazzaoui

terça-feira, 17 de agosto de 2010



"E a minha veia artística se expressa muitíssimo bem nos dias em que eu quero fingir estar gostando, e fingir estar contente, e fingir que me divirto quando tudo não passa de uma noite e nada mais. Acontece que o romance vem se infiltrando pelas frestas mais pífias e quando eu me dou conta eu estou fugindo de novo da possibilidade e alegando que você não quis ficar comigo. A necessidade de ser amada entre o quente do beijo e o vácuo da separação das bocas se junta com o eterno medo que eu tenho de ser amada e aí eu tremo, e sinto frio, e minhas bochechas queimam porque o tesão é quente, mas a espera pelo acerto é torturantemente fria. E eu acabo idealizando muito o passado, esperando muito do futuro e conseguindo viver pouco do presente, simplesmente pelo fato de que eu passo a maior parte do meu agora pensando em tudo o que seria e não é."


Rani Ghazzaoui

domingo, 25 de julho de 2010



“Afinal de contas, se a vida andou sem mim, não faz sentido nenhum eu parar por alguém que eu, em algum momento, resolvi deixar pra lá.”



Rani Ghazzaoui


“Eu não sei - e não quero - não escolher você.”


Rani Ghazzaoui


“Pra mim, ele não tem mais nome, não tem mais rosto, não tem mais nem registro de saudade. Eu não lembro de mais nada do jeito dele e não faço idéia do tom de voz que ele tem. Ele ficou no passado de verdade, com todo o esquecimento que o tempo é capaz de conferir à coisas que foram, mas deixaram de ser. A questão aqui não é o que eu sinto ou senti por ele, mas é o que dele sobrou em mim.”


Rani Ghazzaoui

sábado, 24 de julho de 2010



“Existem saudades competentes, aquelas que te fazem querer morrer pro mundo não te ver chorar tanto. Porque a gente lembra das risadas, não esquece dos abraços e, menos ainda, se perdoa por ter perdido aquela festa, aquele afago, aquele amor.

Saudade de verdade não se beija, porque ela se esconde no caminho do que queremos muito mas só lembramos ter tido. Saudade das músicas, dos gostos e dos cheiros, porque a vida continua sempre em frente, mas é nosso passado que modela quem somos hoje.”



Rani Ghazzaoui


“De todas as tentativas que eu tive para tentar falar de amor, eu falhei. Falhei em todas porque sempre fui muito afetiva quando estava longe e muito fria quando estava perto; porque sempre achei que as pessoas erradas eram as certas e as certas não existiam. Fiz cafajestes se tornarem príncipes encantados nos meus delírios adolescentes fantasiosos que só conseguiam fantasiar como seria a vida de uma menina pura, doce, rosada e sem graça, que eu, nunca fui. E eu espantava os caras perfeitos porque eu posso ser tudo nessa vida, menos perfeita. Porque eu sei fazer cara de blasè, mas na maioria das vezes eu faço é cara de nojo mesmo e cuspo pra fora todas as merdas que cuspiram em mim antes, evitando assim morrer de úlcera, morrer de tanto engolir e engasgar com as mesmas merdas que todo mundo engasga enquanto finge que é normal. Eles continuam tossindo com a mão na frente da boca, e eu continuo vomitando minhas verdades por aí, espantando o bíceps robusto e o cabelo com gel pra longe de mim.

Passei um tempão incontável da minha vida achando que por mais que eu me esforçasse, eu nunca seria capaz de achar alguém que agüentasse a minha presença porque eu sou mal-humorada e meu cabelo não é tão liso quanto parece. Tinha medo de ser muito forçada na hora de atrair alguém, e acabar repelindo essa pessoa quando ela descobrisse que de noite eu sentia solidão e enfiava meu travesseiro entre as pernas pra preencher um vazio que os babacas do sábado a noite nunca preencheriam. Porque eu sempre me fiz de moderna, mas nesse lugar só o travesseiro tocou antes de você chegar. E você chegou de repente com o seu jeito de risada rosada de quem não sabe onde enfiar a cara quando alguém fala algum absurdo. Eu sempre falando tantos absurdos pra você, te deixando vermelho, quente, meio tarado pela idéia de me ver brava de novo, fazendo charminho pras coisas que tanto eu quanto você sabemos que eu acabo por ceder. Pra você, sempre.

Me arrepiou do dedo mindinho do pé até o fio do ponto mais alto da minha cabeça, e eu tive certeza absoluta que não eram simples formalidades dessa vez, que não ia ser fugaz e fútil e que era "bão", era "bão". O seu jeito - que eu sempre achei que era o exato jeito que brigava com o meu - me completou de uma forma que eu não consigo falar, porque toda vez que eu tento, percebo que minha boca está ocupada de você e que as horas passaram sem que eu nem ao menos ouvisse os sininhos tocarem ou as borboletas voarem dentro de mim. Os sininhos não existem e eu sempre tive asco do corpo de inseto da borboleta, aí eu resolvi deixar de ser a idealizadora da felicidade glamourosa pra ir viver o gozo da vida simples que eu sempre ignorei.

Cansei de andar nas pontas do pés e resolvi andar de pé inteiro, no chão, no barro, no barranco. Despenquei e caí lá embaixo: totalmente de quatro por você. Tão brega na minha paixonite que não ligo pra nenhuma das besteiras que eu ligava há dois minutos atrás. O tempo vai mudando rápido e a felicidade não poderia ser mais real e presente nas nossas tantas diferenças.”


Rani Ghazzaoui


“Uma vez me disseram que a proporção de tristeza em cada menina estava diretamente ligada com a beleza dela: quanto mais bonita, mais triste. Quanto mais enfeitam para atrair olhares, mais olhares vazios elas conseguem...”


Rani Ghazzaoui


“A pose toda de mulher e o peso abrupto de carregar o semblante fixo de nunca mais sofrer na vida, na cara, viraram um grande dilema no meio do caminho. Ela jurou um dia pra si mesma, e quem jura não descumpre promessa. Mas tinha um menino no meio do caminho, no meio do caminho tinha um menino e sem se dar conta à primeira vista, ela parou.”


Rani Ghazzaoui

sexta-feira, 14 de maio de 2010



"Às vezes a gente muda tanto ao longo do tempo que quando encontramos um espelho pendurado no meio do nosso caminho olhamos e, opa!, quase que não sabemos quem é que está ali olhando de volta pra nossa cara de tacho.

Você me fez diferente, roubou minhas vontades e minha disciplina eterna comigo mesma que me fazia tão amante das minhas escolhas. Você roubou alguns dos meus sorrisos e guardou no seu bolso, só você queria sorrí-los. Você fez muita sacanagem com aquela minha segurança que não bambeava, mas hoje vive com um pé atrás do outro na corda. Só que no final das contas, a culpa não é exatamente sua. Ninguém faz nada pra outra pessoa sem que a primeira deixe. Eu devia deixar você."


Rani Ghazzaoui


"Queria de volta tudo aquilo que passou porque sofrer pelo passado é bem mais fácil do que arrumar o presente. Eu queria você de volta, pra sempre."


Rani Ghazzaoui