domingo, 12 de setembro de 2010

“Fico pensando se não somos tão carentes ao ponto de não viver melhor sem alguém. E há tanto medo de não ser escolhido, e de ser escolhido e ser trocado, ou ainda de não ser escolhido totalmente, ou de escolher e viver achando que essa escolha é uma prisão. Mas eu lembro de nós dois, enquanto penso nisso tudo, do nosso pacto pelo total aproveitamento diário, essa liberdade quase imposta de saber-se poder ir embora quando não for mais tão essencial. Eu lembro que se estamos juntos é porque, todos os dias, ao acordar e nos olharmos tão frágeis, tão fortes, tão vulneráveis, tão entregues, nós fazemos novamente a escolha de ontem, e cumprimos o resto do dia alimentando esse 'estarmos juntos' com intensidade e delicadeza. Eu fico pensando nos nossos ajustes e na vontade que temos de sabedoria em meio a toda essa embriaguez da paixão. E acho que se esse ainda não é o caminho certo, pelo menos, é o mais bonito por enquanto. E o que me deixa mais inteira, a cada passo. E fico pensando enquanto avanço: eu amo construir a mesma estrada com você... Eu amo morar no teu abraço.”
Marla de Queiroz
sábado, 11 de setembro de 2010

"(...) E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo. (...) Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo. (…) Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. (…) E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que "aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências" vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor."
Tati Bernardi

"O barulho aqui fora me impede de ouvir o meu silêncio. Meu coração está assim. Farto de todas essas saudades, de todos esses amores fracassados, de todas essas tentativas, de tantas perdas. Ando cansada de certas coisas que antes pareciam ter graça e hoje não fazem sentido algum. Sinto tudo num só instante. Eu sou o pulsar do mundo ao mesmo tempo que o mundo me suga. Meu corpo abriga um cansaço que se expande de dentro pra fora. Dilacera minhas certezas. Embaraçam meus sonhos. Deixa tudo por um fio. E nesse fio eu caminho bamba. Quase caindo. Meu querer se embolou e sabe como eu fiquei? Perdida. Em mim e nessa coisa que eu chamo de meu mundo. Será que em tempos de tantas carências e necessidades, seria ousadia demais a minha denominar algo como "meu"? Eu não sei. A única certeza que tenho é que além de mim, só eu me resto. O que também não é absolutamente estável, porque eu também me traio. Eu também me engano. Às vezes de propósito. Outras vezes por puro descuido ou por realmente merecer. Você acredita nisso: que a gente tem o que merece?"
Tainá Faco










